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DPI e cancro do pulmão: uma combinação infeliz de acontecimentos

Uma desgraça nunca vem só.

É isso que devem pensar os doentes quando recebem ambos os diagnósticos de Doença Pulmonar Intersticial (DPI) e cancro do pulmão. Infelizmente, esta combinação de doenças acontece com mais frequência do que seria de esperar com base no mero acaso. Investigadores portugueses avaliaram as opções terapêuticas para estes doentes que parecem encontrar-se entre a espada e a parede.

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A incidência de cancro do pulmão é 5 vezes superior nos doentes com Fibrose Pulmonar Idiopática (FPI), em comparação com a população geral, de acordo com Rita Linhas e colegas na Revista Portuguesa de Pneumologia. Para além disso, algumas formas específicas de DPI também podem aumentar a probabilidade de desenvolvimento de cancro do pulmão. Esta ocorrência concomitante de DPI e cancro do pulmão representa um desafio para a prática clínica, uma vez que o tratamento de uma doença pode influenciar negativamente os sintomas ou o curso da outra doença.

Por exemplo, a quimioterapia desempenha um papel insubstituível no tratamento do cancro do pulmão, mas os doentes com cancro do pulmão e DPI que recebem quimioterapia podem deparar-se com riscos de exacerbação aguda da DPI relacionada com a quimioterapia. Até ao momento, não se chegou a nenhum consenso nem foi apresentada evidência suficiente para suportar uma estratégia de tratamento ideal para os doentes com cancro do pulmão e DPI. Uma desvantagem adicional para estes doentes assenta no facto de serem normalmente excluídos da maioria dos ensaios clínicos, o que torna difícil encontrar evidência decisiva para o melhor tratamento deste grupo específico de doentes. 

De acordo com os investigadores Portugueses, os medicamentos antifibróticos poderão abrir novas perspectivas promissoras relativamente às opções terapêuticas para estes doentes complexos.

A partir de agora, o tratamento do cancro do pulmão deverá ser considerado nos doentes que apresentam cancro do pulmão e DPI, mas é obrigatória a realização de uma avaliação interdisciplinar das opções terapêuticas. Além disso, a opinião do doente também deverá ser considerada para a decisão final. Há necessidade urgente de estudos prospectivos acerca do tratamento do cancro do pulmão em doentes com DPI, que possam abrir novas possibilidades para este grupo desafortunado de doentes. 

Bibliografia:
Linhas R, et al. Concomitant lung cancer and interstitial lung disease: A challenge in clinical practice. Rev Port Pneumol 2017; 23: 104-5


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