- Belung Magazine
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Pulmão num chip: a solução para testar medicamentos para os pulmões?

Dependemos do oxigénio para ter uma boa qualidade de vida; mas e se os seus pulmões ficarem de tal forma danificados que só consegue caminhar alguns metros antes de necessitar de recuperar o fôlego novamente? Só a ideia já é cansativa. Cientistas de três universidades holandesas esperam testar medicamentos num chip no futuro, investigando a possibilidade de criar tecido pulmonar dentro de um dispositivo sintético minúsculo. Este conceito que parece futurista poderá oferecer uma solução para a reparação de pulmões danificados.

'Ao cultivar células pulmonares vivas dentro de um chip, é possível ter um pequeno pedaço de tecido vivo disponível.'

Os chips são associados sobretudo aos computadores, mas não são apenas valiosos para que possa ler o seu e-mail ou a revista BELUNG. De acordo com o cientista holandês Andre Poot, podem também ser de enorme importância para efeitos de investigação médica: "Ao cultivar células pulmonares vivas dentro de um chip, é possível ter um pequeno pedaço de tecido vivo disponível. Um dia, este poderá oferecer possibilidades para testar medicamentos destinados a reparar pulmões danificados."

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O dispositivo de dez centímetros já foi utilizado no passado para estudar a função pulmonar, na medida em que o chip actua como um saco de ar que substitui o dióxido de carbono por oxigénio. Contudo, estes dispositivos eram desadequados para mimetizar anatomicamente um saco de ar, já que era aplicada uma grande quantidade de tecido plano no chip. Para copiar devidamente uma célula pulmonar, Andre Poot e os seus colegas conceberam células com uma membrana globular, equivalente a sacos de ar reais, que permitem aos cientistas estudar ainda melhor os processos pulmonares.

O conceito de "pulmão num chip" destina-se a testar novos medicamentos. Ao estudarem a actividade das células pulmonares dentro de um dispositivo minúsculo quando são aplicados medicamentos, os investigadores esperam determinar a reacção dos alvéolos humanos aos novos medicamentos que visam reparar os danos pulmonares.

Os investigadores pretendem criar um "pulmão num chip" no prazo de quatro anos. Os primeiros passos já foram dados, afirma Andre Poot. "As células pulmonares têm de ser cultivadas primeiro in vitro; depois disso, podemos aplicar os alvéolos num chip." Andre Poot e os seus colegas esperam desenvolver um dispositivo simples personalizado para cada doente no futuro. 

Desta forma, ao usarmos as próprias células dos doentes num chip, podemos prever quaisquer reacções a novos medicamentos com maior exatidão, sem os aplicarmos os imediatamente no organismo dos doentes.

Bibliografia:
Het Longfonds, a Dutch organization for lung conditions.
https://www.longfonds.nl/lopende-onderzoeken/long-op-een-chip


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PM/OFE-181091_mar2018