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'Todos os países deveriam ter um centro de referência para as DPI.'

Professor Demosthenes Bouros
Tempo de leitura: 3 min

O professor grego Demosthenes Bouros (MS, PhD, FERS, FAPSR e FCC) dedicou uma grande parte da sua vida ao tratamento e à investigação das Doenças Pulmonares Intersticiais (DPI). Testemunhou em primeira mão a disponibilização de cada vez mais informação a respeito desta doença e o surgimento do primeiro medicamento para a Fibrose Pulmonar Idiopática (FPI). Segundo Demosthenes Bouros, "a colaboração internacional e a existência de equipas multidisciplinares em todos os centros de referência são fundamentais nas DPI".

'Com uma doença rara como a DPI pode demorar muito tempo até um médico conseguir diagnosticar e tratar o doente.'

Doença difícil

Enquanto director de um departamento para as DPI na Universidade de Atenas, Demosthenes Bouros vê mais de uma centena de doentes com DPI todos os anos. "Trabalho num centro de referência especializado para as DPI", afirma Demosthenes Bouros, que também está associado ao Sotiria Hospital, vocacionado para as doenças do tórax. Demosthenes Bouros trabalha na área das DPI há quase quarenta anos e escreveu várias publicações científicas sobre este téma. "As DPI são a área mais difícil da pneumologia", afirma Demosthenes Bouros, "bem como da medicina em geral. Existem quase cinco centenas de doenças diferentes que podem ser classificadas como DPI, pelo que vários médicos poderão desconhecer muitas destas doenças e nunca se terem deparado com elas durante a sua formação médica. Assim sendo, com uma doença rara como a DPI, pode demorar muito tempo até que alguém consiga diagnosticar e tratar os doentes que sofrem desta doença." 

Novos critérios

Uma vez que as DPI são doenças raras, Demosthenes Bouros acredita que poderá ser útil criar uma maior sensibilização em torno das DPI. "Penso que isto é necessário tanto na comunidade médica quanto no público em geral." De acordo com Demosthenes Bouros, as associações de doentes e as sociedades científicas podem desempenhar um papel importante neste processo. "Tomemos como exemplo as conferências sobre doenças raras", afirma Demosthenes Bouros, "que podem sensibilizar os médicos de medicina geral e familiar e os pneumologistas para os aspectos relacionados com as DPI." Apesar de ser necessária uma maior sensibilização, Demosthenes Bouros congratula-se com o facto de, hoje em dia, cada vez mais médicos começarem a tomar consciência destas doenças. "No passado, qualquer forma de fibrose pulmonar era considerada fibrose pulmonar idiopática (FPI)", recorda Demosthenes Bouros, "mas isso está a mudar". Presentemente, este pneumologista está a trabalhar num comité de especialistas (ATS/ ERS/ JRS/ ALAT) para publicar uma declaração sobre os novos critérios de diagnóstico da FPI. "Ano após ano, a investigação resulta numa melhor compreensão e abordagem das muitas DPI e, especialmente, da FPI", revela Demosthenes Bouros.

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'A cooperação internacional e os registos nacionais e internacionais são muito importantes na área das DPI.'

Colaboração

Demosthenes Bouros trabalha frequentemente em colaboração com universidades de todo o mundo no domínio das DPI. "Penso que a cooperação internacional e os registos nacionais e internacionais são muito importantes na área das DPI. Um dos aspectos que investigamos é a possibilidade de tratar a fibrose pulmonar com células estaminais. Realizamos também investigação genética para explorar os genes envolvidos nas DPI." Demosthenes Bouros salienta a importância de ter centros de referência para as DPI em todos os países, o que facilita a colaboração internacional na investigação e é também benéfico para o tratamento dos doentes. "Todos os médicos deverão saber onde podem consultar um especialista ou referenciar um doente para uma doença difícil como as DPI", defende Demosthenes Bouros. "A maioria dos casos de DPI não são fáceis, pelo que necessitamos de equipas multidisciplinares em centros de referência que tenham a experiência e os conhecimentos necessários para lidar com esta doença devastadora."


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