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'As equipas multidisciplinares são cruciais para o tratamento das DPI.'

Prof. Doutor Carlos Robalo Cordeiro
Tempo de leitura: 3 min

O Prof. Doutor Carlos Robalo Cordeiro é especialista em Pneumologia e director do Serviço de Pneumologia A do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC). Neste hospital, trabalha com uma equipa multidisciplinar dedicada ao tratamento de doentes com Doença Pulmonar Intersticial (DPI). De acordo com Carlos Robalo Cordeiro, a sensibilização em torno das DPI pode fazer toda a diferença no tratamento destas doenças. "É muito importante identificar as DPI o mais precocemente possível."

'É essencial ter este tipo de equipa multidisciplinar.'

Diferentes formas de DPI

No CHUC, uma equipa multidisciplinar reúne-se todas as semanas para debater casos de doentes com DPI. "Reunimo-nos pelo menos uma hora todas as semanas", afirma Carlos Robalo Cordeiro. "Nestas reuniões, estão presentes um radiologista, um patologista, um cirurgião torácico e um reumatologista. Por vezes, junta-se a nós um cardiologista, uma vez que lida com a hipertensão pulmonar." Durante estas reuniões, os diferentes médicos debatem estudos e apresentam casos uns aos outros. "É crucial ter este tipo de equipa multidisciplinar", refere Carlos Robalo Cordeiro. "Em Portugal temos, por exemplo, uma elevada prevalência de pneumonite de hipersensibilidade, uma doença inflamatória e/ou fibrótica causada pela inalação de poeiras orgânicas, e é muito importante distinguir uma doença como essa de outras formas de DPI." O quadro clínico de alguém com Pneumonite de Hipersensibilidade Crónica pode ser muito similar ao de alguém com Fibrose Pulmonar Idiopática (FPI) ou, por exemplo, ao de alguém com uma DPI associada a uma afecção do tecido conjuntivo. "Para reconhecer esta última doença, é importante ter um reumatologista na equipa, que é especialista nesta matéria. Por isso, precisamos efectivamente desta abordagem multidisciplinar. Pretendemos manter o número de casos de DPI não classificada o mais reduzido possível. Com uma equipa multidisciplinar, podemos debater  se uma doença é efectivamente uma FPI ou talvez outra qualquer."

Testes e procedimentos

O hospital onde trabalha Carlos Robalo Cordeiro é um centro de referência, o que significa que, frequentemente, outros hospitais apresentam-lhe os seus casos clínicos. "Os outros hospitais não possuem os meios necessários para efectuar todos os tipos de testes e procedimentos", partilha Carlos Robalo Cordeiro. "Dispomos, por exemplo, de um laboratório de investigação, onde fazemos algumas abordagens relativamente ao lavado broncoalveolar (LBA)." Durante este procedimento específico, uma sonda é passada pela boca ou pelo nariz até aos pulmões. É esguichado fluido para uma pequena parte do pulmão e seguidamente recolhido para análise. "Neste fluido (o chamado "LBA") podemos verificar facilmente, no nosso laboratório, se existem partículas de amianto", afirma Carlos Robalo Cordeiro. "E podemos ainda efectuar um teste de transformação linfoblástica, que pode ser utilizado para detectar alguns tipos de hipersensibilidade e pneumonite induzida por fármacos."

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'Organizamos reuniões sobre DPI através do grupo de trabalho da SPP, mas também nos concentramos na Medicina Geral e Familiar.'

Sensibilização

Uma vez que as DPI são doenças raras e relativamente desconhecidas, Carlos Robalo Cordeiro envida enormes esforços para criar uma maior sensibilização em torno deste tema na comunidade médica. "No ano passado, publicámos um documento de consenso na Revista Portuguesa de Pneumologia que incide no diagnóstico e tratamento da FPI (Fibrose Pulmonar Idiopática). Divulgámos este artigo junto da Sociedade Portuguesa de Pneumologia (SPP), da Sociedade Portuguesa de Radiologia e Medicina Nuclear (SPRMN) e da Sociedade Portuguesa de Anatomia Patológia (SPAP), e também o facultámos à Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar (APMGF)." Outra forma de criar sensibilização em torno das DPI em Portugal consiste em organizar reuniões e grupos de trabalho. "Com isto centramo-nos em diferentes tipos de especialistas", revela Carlos Robalo Cordeiro. "Organizamos reuniões através do grupo de trabalho no seio da SPP em matéria de DPI, mas também nos centramos nos médicos de Medicina Geral e Familiar. Estes colegas são cruciais, uma vez que são os primeiros que vêem os doentes. Queremos capacitar os médicos de Medicina Geral e Familiar na identificação precoce das DPI através da detecção de crepitações nos pulmões e outras características. E temos também reuniões com radiologistas de partes mais distantes de Portugal para trocar informações acerca dos sintomas, do diagnóstico e das principais características imagiológicas da DPI. Durante estas reuniões, radiologistas experientes falam acerca das DPI e, por exemplo, dos padrões nos exames de alta resolução com os quais é possível identificá-las. Assim sendo, estamos a tentar, de todas as formas, criar uma maior sensibilização em torno das DPI nos diferentes departamentos de medicina, para que possamos tratar os doentes com DPI da melhor forma e mais precocemente."


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